- Que queres ser quando fores grande? - perguntei eu a Um Amigo.
- Quero ser pai... - respondeu-me ele como se a resposta lhe parecesse óbvia - E tu?
- Quero ser o maior...
- E se não conseguires? - desafiou-me ele.
- O melhor... - retorqui eu.
- E se não conseguires? - desafiando-me de novo, franzindo o sobreolho.
Demorei mais algum tempo do que na anterior, mais para me recompor da surpresa que tive ao aperceber-me de quão rápido a resposta se formou na minha cabeça do que a pensar na resposta propriamente dita.
- Então não quero ser...
- Que pessimista! - retorquiu Um Amigo.
- Ou ambicioso, depende da perspectiva! - sendo a minha vez de o desafiar.
(...)
- Onde é que nós estávamos há 3 anos? - perguntou Um Amigo, não me dando tempo para responder - Ora, provavelmente a estudar para a segunda fase de exames do primeiro ano. Para aí para o recurso de Estatística II...
- Ou então embriagados... - completei.
- ... isto estava tudo sujo - continuou ele - e agora olha para aqui!
Apontou para a secretária e depois de uns segundos a fitá-la, continuou:
- Tudo arrumado...
- Estamos diferentes! - intervi eu depois de perceber que Um Amigo esperava que eu dissesse algo. - Estamos mais crescidos..
- Pois estamos...
- Mais conhecedores - disse eu - pelo menos!
- Concordou - disse Um Amigo - mais conhecedores, mais responsáveis, mais arrumados, mais vividos... Mais bonitos - sorrindo.
Sorri de volta. Pois era verdade.
(...)
- Que dia é hoje? - perguntou Um Amigo de forma retórica - 9 de Julho... Ora 9 de Julho de 2012. No dia 9 de Julho de 2015 havemos de estar aqui - apontando para o chão - a conversar e a ver no que nos tornámos. Combinado?
- Aceito o desafio.
(...)
- És servido? - perguntou-me ele com um pedaço de pão na mão.
- Não obrigado - disse eu distraidamente enquanto escrevia.
- É bom. É de mistura... - esperou que eu dissesse algo - Será que daqui a 3 anos - prosseguiu ele vendo que eu não lhe ia responder - vou continuar a comer pão de mistura e a beber leite de soja? Será que nos vamos continuar a preocupar ou vamos ser daqueles que vamos comer francesinhas e mariscada todas as noites só porque podemos? Só porque trabalhamos e temos dinheiro...
Um Amigo continuou naquilo que mais parecia um monólogo... Mas pôs-me a pensar...
domingo, 8 de julho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Herança
Mas que Herança deixamos nós àqueles que nos seguem?
Por requintes se caminha magistralmente ao longo de todo o passeio. Para as ruas nem se olha, não vá tirar-nos a atenção do que temos à frente dos olhos! Podemos falhar um quadrado do passeio, ou pisar uma linha que os divida! Que choque! Que tortura para os obsessivos! Não interessa se por isso perdemos o vislumbre do melhor carro do mundo ou se deixámos de salvar alguém que se tenha atravessado de olhos fechados para o perigo do trânsito! Assim como assim, as passadas prévia e meticulosamente medidas e intencionalmente temporizadas têm o seu quê de sumptuosidade sobre qualquer outro acontecimento... Assim como assim, uma pessoa fecha os olhos para se descartar de pesos futuros enquanto os outros atravessam a rua para o outro lado!
E se vier alguém atrás de nós? Que Herança lhes deixamos?
E contentamo-nos com a magnificência da nossa pura existência...
Por requintes se caminha magistralmente ao longo de todo o passeio. Para as ruas nem se olha, não vá tirar-nos a atenção do que temos à frente dos olhos! Podemos falhar um quadrado do passeio, ou pisar uma linha que os divida! Que choque! Que tortura para os obsessivos! Não interessa se por isso perdemos o vislumbre do melhor carro do mundo ou se deixámos de salvar alguém que se tenha atravessado de olhos fechados para o perigo do trânsito! Assim como assim, as passadas prévia e meticulosamente medidas e intencionalmente temporizadas têm o seu quê de sumptuosidade sobre qualquer outro acontecimento... Assim como assim, uma pessoa fecha os olhos para se descartar de pesos futuros enquanto os outros atravessam a rua para o outro lado!
E se vier alguém atrás de nós? Que Herança lhes deixamos?
E contentamo-nos com a magnificência da nossa pura existência...
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