quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Luto II

Porque está morto o grito. Está de rastos o ímpeto original da força que nos move.

A genuinidade está confinada ao incentivo por retorno enquanto que a espontaneidade, essa, está adormecida, para não dizer que se evaporou de vez.
Então que genuinidade e espontaneidade são essas as que se escondem a fogem do mais lindo que há no mundo? O que se faz hoje de belo se o que de belo existe é feito com o carinho do que se é e com a ternura de um momento? E o que são mais esse carinho e essa ternura do que a genuinidade e a espontaneidade?

Onde está a doçura de uma criança ou de um adolescente que diz aos pais que um dia há-de ser o melhor do mundo em alguma coisa? Onde está essa criança ou esse adolescente passados uns anos? Oprimido na sombra de uma caverna, a procurar o fogo com duas pedras?

Que desastre então encontra o Homem nos dias de hoje quando olha para o futuro e nada vê a não ser o que tem de fazer, olhando para trás e nada vendo a não ser o que um dia ia ser!
Porque não busca então o que queria ser? Está à distância de um passo: o que separa o sonho da realização...

E preconizo de tal forma a busca de sonhos, que me sinto morto sempre que me sento. A não ser que isso seja o que sempre sonhei.

2 comentários:

  1. já o teu grande ortónimo acaba assim a sua também grande Mensagem ... mas eu acho que só o facto de ainda existirem (poucas) pessoas a pensar como tu já mostra que ainda há esperança para o grito do que é jovem, do que é inocente, genuíno, espontâneo e sim, belo. o futuro é feito das nossas escolhas: temos é de fazer uma boa aposta no caminho que tomamos.

    'Nevoeiro

    Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
    define com perfil e ser
    este fulgor baço da terra
    que é Portugal a entristecer –
    brilho sem luz e sem arder,
    como o que o fogo-fátuo encerra.


    Ninguém sabe que coisa quer.
    Ninguém conhece que alma tem,
    nem o que é mal nem o que é bem.
    (Que ância distante perto chora?)
    Tudo é incerto e derradeiro.
    Tudo é disperso, nada é inteiro.
    Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


    É a Hora!'

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  2. Já essa Pessoa na altura o dizia. Uns (bons) anos mais tarde se verifica.

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